terça-feira, 8 de maio de 2018

Tô bem aqui..


Nove horas da manhã de um sábado.
Da janela dá pra ver o jardim, as calçadas do mesmo tom do céu, o vento varrendo folhas e papéis espalhados pelo chão, as flores que você plantou pra mim.
A saudade dificulta a imparcialidade...rs...Um copo de cerveja impera sobre a mesa. O olhar no infinito através da janela embaçada do quarto... E os encontros aconteciam.
Os lábios,
A saliva,
A vontade,
A voz,
Numa frase descontextualizada. Que lhe caiu como chumbo nas costas, no colo, nos ombros. E entrou como um furacão na sua vida, na sua alma, no seu passado, no seu sossego, nos seus sonhos...Bem em você, que nunca fala do passado. Só das coisas boas da vida.
Conversamos um pouco sobre existencialismo e literatura. Sobre sensações sinceras. Divididas, consentidas...E você falava com os olhos fechados. Propostas alienantes, Alienadas. Pra eu me perder...
E seus olhos encontraram os meus, quando seus lábios deixaram os meus. Sorria, sorrisos silenciosos. Deve ter pensado em mais alguma coisa, mas não disse...Muito complicado, e ainda assim tão fácil de entender.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pluma de ferro

Apesar dos outros,
Dos medos,
Dos monstros nos meus pesadelos

Apesar dos dias repetidos que são tantos...
Das canções,
Dos lugares,

Apesar da chuva,
Da rua,
Da hora,

Apesar dos meus pensamentos,
Dos perigos,
Dos próximos momentos...

Sou o que resta da cidade
Das crianças,
Da humanidade...

Apesar de tudo
Ainda não vi algo tão pesado,
Tão pesado que esmagasse
Que parasse o tempo,
Que apagasse o fogo nos olhos
Que impedisse a fuga

Apesar da fuga constante
Tudo está em calma
Apesar do seu gosto em minha boca
Às vezes nunca te vi antes
Apesar do pulsar das minhas idéias
Consegui te olhar nos olhos

Apesar de tudo
Tudo ainda está em calma...


 

 

(Erika/Bruno) 2010 – Para registro

Devagar, meu bem


Canto e bebo toda noite
Mas não fale assim não
Cantei sem entender o que a letra dizia
Me misturo à multidão, vestida de você
Vou embora
Você me tira do eixo
Me deixa sem razão.
Eu sei que você andou bebendo a noite inteira
Só pra ficar mais perto de mim...

Mais perto de mim.

Devagar, meu bem...
Eu vou confessar
Dizer que nada é tão difícil assim
Hoje, com você, durmo de mansinho...
Eu vou voltar...
Vou chegar trazendo o sol
E um dicionário
Cheio de palavras que nunca vou usar.
Eu sei que eu não tenho o que dizer
Acabei dizendo qualquer coisa
Pensei em mil palavras, e enfim...
Nenhuma delas coube em mim.


2010 - Para registro

 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A dança do mar


O mar leva tudo

E deixa tudo sozinho

O vento traz tudo de volta

Faz voar o passarinho

A brisa do mar chove na areia

Molha bem devagarzinho

Apaga a pegada alheia

Faz esquecer de pouquinho em pouquinho.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Samba, cachaça, piscina de plástico.


A paz desejada. O andar dos tempos. O vermelho do sangue e o sal das lágrimas. E, como se tanto fosse pouco, ou quase nada, o mundo esquece que é mundo...já devíamos ter aprendido...o ano começa só depois do carnaval. E, para não chorar pela "camélia" que morreu, de morte acidental, eu danço samba...o samba das rosas, sem ritmo, por horas. Enche a piscina, copia a casa do lado, nossa piscina é de plástico, trás a cachaça, em uma taça, chama o pessoal, deixa as crianças brincando no quintal. Deixa a tarde cair, devagar...e a chuva chover, e molhar. Casa de pássaro é vento, passarinho eu voei, sozinho...e voltei.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

300 Anos

Enquanto tomava um chá de hortelã
Esperava...
Havia sol
E um vento frio
Horário de pico
E o metrô vazio
Olhou algumas imagens
Paisagens
Olhou para o sol fraquinho
Clareando os galhos das árvores no quintal
Céu azul cintilante manchado de nuvens
Passa passarinho
Silêncio
Lembranças
Listas
Capítulo 4 de um livro novo
Esperava...
Retoca o batom
Vermelho
Enrola o cabelo
Com o dedo
Batuca o lápis na mesa
Se perde no entra e sai dessa gente
E nas cores
Na falta de certeza
Espera...
Parecia filme
Sorriso confuso
Rezando pra que isso dure muito mais
Muito
Mais
Ai ai...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

É só mais um verão...


E se antes ela já sabia
Agora ela sabe muito mais
E tanta coisa pra aprender
Ainda...
Amadureçam as ilusões da vida
Sempre dividida
Entre compensações e enganos...
Diminuam os bens
Cresçam os danos
Vença o ideal de caminhos planos
De tantos entretantos.
Nem vi você chegar
Fica um pouco mais
Vamos dançar qualquer coisa...
Abra os braços
É só mais um temporal
Chuva lavando o quintal
Pra se juntar ao mar...