quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Samba, cachaça, piscina de plástico.


A paz desejada. O andar dos tempos. O vermelho do sangue e o sal das lágrimas. E, como se tanto fosse pouco, ou quase nada, o mundo esquece que é mundo...já devíamos ter aprendido...o ano começa só depois do carnaval. E, para não chorar pela "camélia" que morreu, de morte acidental, eu danço samba...o samba das rosas, sem ritmo, por horas. Enche a piscina, copia a casa do lado, nossa piscina é de plástico, trás a cachaça, em uma taça, chama o pessoal, deixa as crianças brincando no quintal. Deixa a tarde cair, devagar...e a chuva chover, e molhar. Casa de pássaro é vento, passarinho eu voei, sozinho...e voltei.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Friozinho

O mar leva tudo
E deixa tudo sozinho
O vento traz tudo de volta
Faz voar o passarinho
A chuva chove na areia
Molha bem devagarzinho
Apaga a pegada alheia
Faz esquecer de pouquinho em pouquinho.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

300 Anos

Enquanto tomava um chá de hortelã
Esperava...
Havia sol
E um vento frio
Horário de pico
E o metrô vazio
Olhou algumas imagens
Paisagens
Olhou para o sol fraquinho
Clareando os galhos das árvores no quintal
Céu azul cintilante manchado de nuvens
Passa passarinho
Silêncio
Lembranças
Listas
Capítulo 4 de um livro novo
Esperava...
Retoca o batom
Vermelho
Enrola o cabelo
Com o dedo
Batuca o lápis na mesa
Se perde no entra e sai dessa gente
E nas cores
Na falta de certeza
Espera...
Parecia filme
Sorriso confuso
Rezando pra que isso dure muito mais
Muito
Mais
Ai ai...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

É só mais um verão...


E se antes ela já sabia
Agora ela sabe muito mais
E tanta coisa pra aprender
Ainda...
Amadureçam as ilusões da vida
Sempre dividida
Entre compensações e enganos...
Diminuam os bens
Cresçam os danos
Vença o ideal de caminhos planos
De tantos entretantos.
Nem vi você chegar
Fica um pouco mais
Vamos dançar qualquer coisa...
Abra os braços
É só mais um temporal
Chuva lavando o quintal
Pra se juntar ao mar...
 

 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vestígios

Relógio que não anda
Sem pilha
E o quadro sem pintura
Na parede da sala vazia...
Não dá mais pra voltar
Passagem de ida...
Afastou as cortinas pesadas
Sínica
Fechou os olhos
Única
Apoiou a cabeça contra a vidraça
Gelada
Pra lembrar das flores
Das festas
Dos papéis
Discos
E casacos
Cantarolou um trecho de ‘Tempo Perdido’
Clássica
Pensou nas mudanças do mundo
Crítica
Militante
Isolada
Nua
Impura
Cristalina
Aliviada
Em sua triste alegria...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

2x15

Ela fez algumas escolhas importantes na vida, e agora está pensando seriamente no que realmente vai querer dali pra frente.
Continua dando com a cabeça no muro, mas com menos freqüência e intensidade.
Aumentou a pressa de ser tudo o que ela queria.
De sentir do tamanho que a alma sente.
Seus lábios
Sua saliva
Seus cílios
E até o jeito de olhar
Têm uma exatidão insuperável
Tão forte e tão sutil
Está sete vezes mais interessante
E sedutora
E irreversível
Ela perde o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer de si mesma.
E já não sustenta mais aquele ar ingênuo.



‘Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido”. (Honoré Balzac)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

D. Esperança

Meninazinha dos olhos verdes
Sentada na areia
Alheia e tão distante
Olhando uma onda ir
Uma outra voltar
O sol colorindo o limite do mar...
Antes de bater o vento ela já pensava em voar
Em chorar
Sorrir também
E dançar
Quis ter os pés no chão
E aterrizou em qualquer lugar
Era hora de pensar no que fazer pro jantar
De ficar e esperar.