terça-feira, 8 de maio de 2012

Gota d’água

Dividida entre o início e o fim Revela a chegada de grandes tempestades Finda ciclos tempestuosos Ainda marca alguns encontros Dela com ela mesma Anunciando o início do fim.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Supernova.

Era uma vez uma constelação de estrelas que queria virar alguma coisa, e imaginou ser uma poça...e quis muito ser aquilo, quis ser a raiz de uma árvore e ser o andar de um velho, ser o nº num talão de cheques...Até que por fim, quis ser apenas só aquilo mesmo, um punhado de estrelas soltas, algumas palavras de uma história ouvida em pedaços no barulho de um bar depois da meia noite e quinze.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dos Medos

Pai nosso! E se a chuva não cair?
Essa nuvem há de vir
Nem que seja carregada!
O vento uiva, na árvore
De folhas no chão de terra seca
Chão de areia
A noite que chega
Parede de barro que se clareia
Com a luz da vela
Que queima e alumia a fome
Do filho
Que na falta de um,
São cinco
E sentada na beira
Do degrau moldado à mão
Que dá de cara pra ladeira
Tão inclinada
Sentindo no rosto a areia que voa
Sentindo a lágrima chegar
De ver a água descer
De se perguntar
Se alguma coisa ainda muda.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

*Vermelho Carmim...

Sua beleza sobrenatural, uma coroa de cartolina dourada, e o comportamento lânguido de quem chorou em segredo. Seu coração, que resistira sem quebrantos aos mais duros golpes da realidade cotidiana, se desmoronou ao primeiro encontro com a saudade.

Sentado aos pés da cama, empoeirada pelo sol da manhã, penetrou tão profundamente os sentimentos dela que procurando o interesse, encontrou o amor. E tentando fazer com que ela o amasse acabou por amá-la.

Apenas uma hora antes de morrer jurou amá-lo até a morte. Até o fim. Não sentiu medo. Nem saudade. Não chorou. Nem sorriu. Mandou um beijo com a ponta dos dedos.

Iluminou-se o mundo com um sol bobo, vermelho e áspero como poeira vermelho carmim.

domingo, 5 de junho de 2011

*Deslembramento...

A imaginação não conhece a paz...
O vento brinca com os grãos de areia
Me deixa respirar o vento...

Eu tentei, mas não deu pra ficar...
Senti tudo passar como o tempo
Mandei meu corpo deslembrar...

As fronteiras acabam
Quando transformamos tudo em mar...
Sobre a questão da utopia,
Calma, e o dia virá.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Carmem Lúcia

Pétala de flor deflorada por aromas pontiagudos e desejos carnais desabrochados por cores sanguinolentas e pólens pegajosos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Janela da sala

A leve percepção da aproximação do inverno ventoso, na queda lenta, soturna e inexorável das folhas amareladas e extenuadas que trocam os galhos pelo chão de areia...